100 anos do fim da primeira guerra mundial

Já se passaram 100 anos do fim da primeira guerra mundial. No Instigatorium vamos analisar alguns dos fatores presentes na origem desta guerra. Como estamos hoje em relação a aquela época, fotos e algumas curiosidades.

Em 18 de julho de 1815 Europa lutava a ultima batalha das guerras napoleônicas, a batalha de Waterloo. Quase 100 anos depois, as potencias europeias estavam novamente envolvidas numa guerra que varreria a Europa. Na nova grande guerra, como na anterior, organizaram-se em alianças para lutar umas contra as outras.

Curioso é que as guerras napoleônicas podem ser consideradas como uma grande guerra também, se levamos em consideração que franceses, espanhóis, portugueses, ingleses e holandeses se enfrentaram em todos os lugares do planeta onde se encontravam. Mais ou menos como na primeira guerra mundial, onde as potencias lutaram na Europa, porem também em todos os lugares onde tinham colonias.

Engraçado, por não dizer triste, como as coisas se repetem. A verdade é que a historia da Europa consiste numa longa serie de conflitos mal (ou não) resolvidos.

primeira guerra mundial

Soldados britânicos feridos durante ataque de gás mostarda

A Guerra Franco-Prussiana ou Guerra Franco-Germânica (19 de julho de 1870 – 10 de maio de 1871) é mais um exemplo dessa longa serie de conflitos. Apos a derrota, parte do território da Alsácia-Lorena foi cedido à Prússia, território que ficou em união com o Império Alemão até o fim da Primeira Guerra Mundial.

As causas da Guerra Franco-Prussiana estão profundamente enraizadas nos eventos que cercam o equilíbrio de poder entre grandes potências após as Guerras Napoleônicas. França e Prússia eram inimigos durante essas guerras, com a França do lado derrotado e Napoleão Bonaparte exilado para Elba.

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Não, não são soldados da guerra franco prussiana. Os franceses aprenderiam da pior maneira que os tempos tinham mudado.

Agora vejam isto. Os prussianos (mais poderoso reino alemão antes da unificação) derrotam a França e capturam a Napoleão III, então imperador francês. Os prussianos logo ocupam a França e colocam exigências para irem embora. Enquanto a França negociava e ao mesmo tempo tentava manter a ordem interna, os prussianos proclamavam a Guilherme I da Prússia como imperador alemão (II Reich, o terceiro seria o autoproclamado por Hitler). Ate ai tudo bem, se não fosse que eles fizeram isso no palácio de Versalhes, lar dos reis da França e coração histórico do antigo poderio Frances.

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Napoleão III conversando com Bismark apos a batalha de Sedan

Ha um padrão aqui (se você não percebeu ainda). Os alemães humilham os franceses coroando um imperador em Versalhes. Os franceses humilham os alemães no final da primeira guerra mundial assinando a famosa capitulação do vagão de trem na floresta de Compiegne. Hitler mais tarde faria assinar aos franceses a rendição humilhante no mesmo vagão e na mesma floresta.

Ah sim! Como já disse, com o fim da guerra franco prussiana, os franceses entregariam o rico território da Alsácia-Lorena, de maioria germânica e rico em carvão e hematita (minério de ferro), para o novo Império Alemão. Com o fim da primeira guerra, a primeira coisa que os franceses exigem e ocupam militarmente é exatamente esse território.

Meu ponto. Toda a historia trágica destes países é fundamentada em conflitos não resolvidos que se remontam à queda do império romano.

Conheça a curiosa historia da trégua de natal durante a primeira guerra mundial

Ironicamente a historia se encarregou de apagar da face da terra o antigo território da Prússia. Königsberg (cidade dos reis), coração do reino prussiano, hoje é parte do território da Russia (Kaliningrado) e o resto faz parte hoje de vários países como a Polônia, Lituânia e republica tcheca. Curiosamente, ou talvez foi maturidade alemã, a nova republica da Alemanha nunca reclamou a devolução desses territórios ate hoje. Como comparação, é como se o Brasil não somente tivesse perdido a Cisplatina mas também todo o sul do Brasil para a Argentina. Ou pior, tivesse perdido o Rio de Janeiro também, para fazer uma comparação exagerada com a perda de Königsberg.

Talvez com a União Europeia tenham acabado finalmente os conflitos de grande escala na Europa. Não insento de conflitos, o continente se agita novamente pendendo para o lado nacionalista e desintegrador, como no exemplo do Brexit.

Fazendo um paralelo, a primeira guerra mundial acontece justamente durante um período de grande esplendor cultural e econômico sem paralelo só comparado com o vivido hoje.

A industria da morte

Chamada de “guerra para acabar com todas as guerras”, foi especialmente dura para os soldados nas trincheiras. Foi a primeira guerra onde industrializou-se a morte. As novas armas face as velhas táticas fizeram estragos. Durante a terceira batalha de Ypres, em três meses os dois lados tiveram quase 1 milhão de baixas. Isso mesmo, entre mortos, feridos e desaparecidos. Na conta das baixas totais, somente entre 25% e 30% de todos os soldados recrutados saíram ilesos da guerra.

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Paisagem lunar do vilarejo de Passchendaelle

O uso do gás era tão criminal que foi proibido como arma. Numa guerra você usa tudo o que tem contra o inimigo, mas durante a segunda guerra mundial houve como um acordo tácito para não usar gás como arma. Nem mesmo a Alemanha nas horas de derrota se atreveu a usar. Hitler tinha visto os horrores dos ataques de gás. Sendo ele mesmo uma vitima, um dos maiores criminosos da historia não permitiu o uso de gás no campo de batalha (já sabemos onde ele sim usou gás e por isso mesmo o faz ainda mais monstruoso).

Por primeira vez o estresse post traumático seria estudado (com outro nome claro), não como uma covardia mas como efeito psicológico da guerra.

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A utilização de minas subterrâneas gerou uma das maiores explosões não nucleares da historia onde 10 mil soldados alemães morreram numa única detonação. A utilização de minas subterrâneas e seus efeitos vistos até hoje estão excelentemente explicados neste site, clica aqui.

Ate hoje a quantidade de produto químico em alguns setores do solo do antigo campo de batalha impede de ser utilizado para lavoura.

Veja fotos dos campos de batalha da primeira guerra mundial como estão hoje

A grande guerra, teve consequências nefastas que chegam ate hoje. Os Balcans, onde tudo se iniciou, continua o mesmo barril de pólvora. A Russia se agita e tem a Europa segura pelo pescoço com uma mão enquanto com a outra segura a torneira do gás natural que aquece as casas ocidentais. As potencias europeias ainda não deixaram em paz o oriente médio e Turquia aproveita para se entrometer nos assuntos das antigas terras que chegou a dominar cada vez que pode. Japão e China estão, como naquela época, enfrentados novamente e vigilam-se mutuamente com armas na mão.

A rendição alemã veio de forma incompressível para o povo alemão, correu a voz entre os soldados nas trincheiras de que era claro que não estavam ganhando mas também não estavam perdendo e que o fato de assinarem a rendição se devia a uma traição por parte dos dirigentes e políticos do pais. Não houve, como na segunda guerra mundial, uma clara derrota militar.

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Imagem da assinatura do armísticio. 22 anos depois Hitler faria os franceses assinar a rendição no mesmo vagão.

Quando tudo terminou, das cinzas dos antigos domínios imperiais surgiram inúmeras novas nações. Quatro impérios desapareceram, o Alemão, Turco, Austro-Húngaro e Russo. Três antigas dinastias, que haviam dirigidos os destinos da Europa durante seculos, perderiam seus privilégios para sempre. Eram estes os Romanovs, Hohenzollerns e Habsburgs.

Hoje, 100 anos depois do fim da primeira guerra mundial estamos aqui comemorando a paz. Uma paz ameaçada, que sofre bullying, pisoteada e maltratada. Não parece que estamos muito diferente de quando uma centena de anos atras assinou-se a paz na Europa.

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stark

We have a Hulk ;-)

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