Dona Aracy Moebius de Carvalho protagonizou uns dos mais nobres atos de heroísmo, salvar vidas. Com certeza você não conhece esta historia, e nem eu a conhecia. Tal é o destino daqueles que são grandes de verdade no Brasil.

A historia da Dona Aracy Moebius de Carvalho tem os dias contados no esquecimento, a rede Globo prepara uma mini série centrada principalmente nos eventos ocorridos durante sua estadia na Alemanha nazista. Mas enquanto a mini série não sai da gaveta, aqui você vai ler a incrível historia de uma legítima heroína brasileira.

Uma historia de coragem

Nascida no Paraná, Dona Aracy mudou-se muito cedo para São Paulo com seus pais. No ano 1930, casou-se com um cidadão alemão chamado Johan von Tess. Tiveram um filho. Apenas 5 anos mais tarde estariam separados. Dona Aracy não teve outra solução se não mudar-se para a Alemanha para morar com a sua tia .

A Alemanha dos anos 30 não era lá o paraíso econômico. Para poder ajudar a sua tia e ainda manter seu filho pequeno, decidiu procurar emprego. Aracy era poliglota, o que foi decisivo para arrumar um emprego no consulado do Brasil em Hamburgo. Depois de certo tempo viria a ser chefe da Seção de Passaportes.

A historia se cria das formas mais singulares. O destino tinha colocado uma mulher com convicções e ideias fortes, no lugar e no tempo certo.

Em 1938 entrou em vigor no Brasil uma circular do governo Vargas que impedia a imigração de judeus refugiados do nazismo. A famosa circular 1127 (ou não tão famosa), colocava o Brasil numa política de imigração bem seletiva (qualquer semelhança com RR hoje em dia é pura coincidência). A Alemanha dos anos 30 não era nada amigável com os judeus, por falar de forma educada. Aqueles que se deram conta a tempo buscaram uma saída.

Muitas famílias começaram a bater na porta do consulado brasileiro e eis que a Dona Aracy era quem estava lá. Todo pedido de passaportes destinado a famílias judias, segundo a circular, devia ser marcada com a letra J indicando claramente a origem. Ainda mais, cada solicitação devia ser assinada e aprovada pelo próprio cônsul em pessoa.

Perante a situação desesperadora dessas famílias, dona Aracy decidiu ignorar a circular e passou realizar as solicitações de vistos, não somente ignorando a regra de marcá-los com a letra J, mas ainda se valia de um jeitinho para que o cônsul os assinasse sem saber, misturando-os com outros documentos destinados a serem assinados.

Dona Aracy contou ainda com a ajuda de quem seria seu futuro marido e que ocupava a posição de Cônsul Adjunto em Hamburgo, João Guimarães Rosa. Ele não somente sabia das atividades da dona Aracy, ele a apoiava.

Foi desta forma que a Dona Aracy Moebius de Carvalho salvou centenas de famílias dos campos de concentração e da morte certa. A ajuda da dona Aracy ia muito além, proporcionando refugio e por vezes ate dinheiro as famílias. Assim ela ficou conhecida como Anjo de Hamburgo.

A dona Aracy continuaria com as suas operações secretas até 1942 quando o governo brasileiro rompeu relações diplomáticas com a Alemanha. Durante este período, a dona Aracy e o seu marido ficaram retidos por 4 meses ate que pode ser realizado um intercambio por diplomatas alemães residentes no Brasil.

Vida posterior

Em 1982 recebeu o reconhecimento de “Justa entre as nações” pelo museu do holocausto em Jerusalém. Reconhecimento que é dado aos não judeus que ajudaram a salvar vidas durante o genocídio nazista. O Anjo de Hamburgo se juntou aos seus em 3 de março de 2011 aos 102 anos.

Fonte: http://obviousmag.org/coisas_de_dri/2016/resgate-de-memoria-quem-foi-aracy-moebius-de-carvalho.html

Aracy Moebius de Carvalho

Aracy Moebius de Carvalho

Aracy Moebius de Carvalho

Aracy Moebius de Carvalho, uma heroína esquecida do Brasil

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