Se ha algo que me fascina são as historias de povos perdidos na noite dos seculos. Uma destas historias é a do misterioso povo que vivia no deserto de Taklamakan ha mais de 4000 mil anos. Conheça a historia do misterioso cemitério de Xiaohe, maior achado de múmias do mundo.

Na China existem dois grandes desertos, um é o famoso deserto de Gobi que é compartilhado com a Mongólia, o outro é o menos famoso deserto de Taklamakan. Bem ao leste deste deserto e a centenas de quilômetros de qualquer assentamento humano moderno encontra-se este antigo cemitério. O povo que deixou seus ancestrais enterrados la o fez a milhares de anos atras. Hoje apenas um montículo de areia com estacas de madeira se destaca na “magnifica desolação” do deserto.

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Taklamakan não é uma região hospitaleira, o explorador sueco Sven Hedin que o diga, quase morreu quando tentou atravessa-lo la pelos anos 1890s. O que atraiu a atenção dele? Na parte norte e sul do deserto correm dois rios. Ao longo destes rios existiram ricas cidades que faziam parte da rota da ceda. Alias, foi Hedin que descobriu os restos da cidade de Loulan, mas isso é historia para outro dia.

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Deserto de taklamakan hoje

Mas o que surpreende é que neste cemitério encontra-se o maior achado de múmias no mundo. Uma combinação de clima seco e frio durante o inverno permitiu conservar os corpos destes misteriosos habitantes da antiga China. Uma delas é a famosa dama de Xiaohe. Tao bem conservada que seus delicados traços mostram ainda hoje a pouco comum beleza que esta dama devia ter quando faleceu ainda jovem.

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A bela de Xiaohe

Floresta de estacas

Ordek era um caçador. Um dia vagando por uma área desolada do deserto de Taklamakan achou algo inesperado. Uma duna de areia pouco comum. Ao chegar perto viu que junto com objetos variados também haviam ossos, roupas e objetos do tipo religioso. Ordek era, como qualquer outro caçador do deserto, bem supersticioso. Correu para bem longe do lugar e nunca mais voltou. Não o culpo, isto acontecia logo no começo do seculo XX.

Décadas depois um explorador sueco (não era Hedin) estava na região buscando as ruínas de uma cidade que era parte da rota da ceda (ha um padrão aqui), quando ficou sabendo da historia de Ordek. Provavelmente numa conversa de bar, imagino. O explorador achou Ordek mais tarde, quem não somente confirmou a historia, também explicou como achar o lugar. O tal explorador, chamado Bergman, achou o cemitério, ao qual deu o nome de a “Necrópoles de Ordek”.

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Floresta de estacas

Escavações

Bergman escavou uma dozena de túmulos, “recuperou” (eufemismo para roubo aqui) mais de 200 artefatos e escreveu um livro sobre seus achados que hoje pode ser lido online. Cada tumulo era formado por um ataude em forma de bote invertido. Os mortos eram enterrados juntos com sementes de variados cereais. Por todo lado haviam estatuas de madeira, algumas com formas humanas. O clima seco e frio fez o resto do trabalho conservando tudo praticamente intacto.

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Mais recentemente…

Apos a visita de Bergman o lugar ficou esquecido por praticamente um seculo. Só recentemente uma expedição chinesa chegou ao lugar e comprovou que os achados eram muito mais interessantes do que pensado inicialmente.

Os arqueólogos encontraram que os corpos estavam dispostos em pelo menos cinco camadas de profundidade. Alem disso, encontraram também as múmias mais antigas e melhor conservadas de toda essa área de China. Nunca antes tantas múmias tinham sido encontradas intactas sendo o maior achado de múmias do mundo.

Conclusão

Acho fascinante este tipo de descobrimento porque permite dar uma olhada em como era a vida destas pessoas nesse passado remoto da humanidade. Uma cultura rica em crenças que já existia nessa remota área da China.

Mas eu deixei o mais curioso para o final. A aparência das múmias é diferente ao que é encontrado na China normalmente. Os corpos que descansam nesta necrópoles tinham o cabelo castanho e possuíam longos narizes afinados. Características físicas que correspondem com o genoma europeu.

Os cientistas chineses fizeram um estudo genético e descobriram que o material genético dos habitantes do Xiaohe pela linha maternal era uma mistura entre asiático e o oeste da Eurásia. Mas a linha paterna demonstrou vir inteiramente da Europa.

Fascinante! Em algum ponto do passado estes povos tiveram contato casando-se entre eles antes de entrarem nas terras desérticas ao oeste da China por vai saber qual motivo. Europeus e Siberianos não somente tiveram contato como ainda deram origem ao povo de Xiaohe.

Perto da área onde o cemitério foi achado existe ainda hoje um rio seco chamado Xiaohe. Esta cultura sobreviveu nesta área inóspita ate que os rios e lagos que restavam secaram ao redor do ano 400 antes de cristo. Mal consigo imaginar como seria viver num lugar que vai morrendo aos poucos e junto com ela a própria civilização.

Fontes aqui e aqui

Maior achado de múmias do mundo é na China

stark


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