Os nazistas a assassinaram a tiros em 1942, seu diário foi guardado ate agora num banco

Renia Spiegel era judia e morava em Przemysl na Polônia durante a segunda guerra mundial. Sem duvidas, o pior lugar para se morar no verão de 1939. A historia a seguir ficou guardada num banco por 70 anos.

Renia começava seu diário em janeiro de 1939 e escreveria perto de 700 paginas. Uma entrada que ela escreveu em agosto de 1939 é um olhar aos últimos momentos de paz da menina.

“15 de agosto de 1939
Não tenho te falado por algum tempo. O final do ano escolar já passou, minhas ferias já estão quase terminadas e eu não tenho falado contigo. Fui visitar minha tia, fui a Varsóvia, vi a minha mãe e agora estou de volta. Porem você não sabe nada disso. Tu estavas deitado aqui, ficaste só com os meus pensamentos e nem sequer sabes que temos uma mobilização secreta, não sabes que os russos assinaram um tratado com os alemães. Não sabes que as pessoas estão acumulando comida, que todos estão em alerta, esperando… pela guerra”

Em 1 de setembro de 1939, os alemães invadiam a Polônia usando um ataque encenado como desculpa. O que Renia não sabia era que naquele tratado os russos e alemães tinham dividido entre eles a Polônia. Renia ficaria na parte ocupada pelos russos e a sua mãe, na parte alemã.

A vida de Renia se desenvolveria sem muitos contratempos durante a ocupação soviética, o que não era o caso na Polônia alemã onde as perseguições aos judeus já tinham começado. Mas isso só duraria ate o verão de 1941 quando a Alemanha invade a URSS.

A partir deste ponto o diário de Renia conta os horrores da guerra, os bombardeios, a desaparição de outras famílias judias e a criação do gueto, especie de bairro fechado criado para concentrar todos os judeus num só lugar.

Em meio aos acontecimentos, Renia começa a namorar um jovem chamado Zygmunt Schwarzer. É graças a este jovem que nos temos acesso ao diário hoje. Renia escreveria muitos poemas, a sua escrita era de uma avançada maturidade e por isto é comparado ao diário de Anne Frank.

Com tanto horror a sua volta, a menina ainda acreditava e desejava uma vida tranquila e em paz. Algo recorrente na sua escrita era o desejo de se reunir com a mãe novamente.

Infelizmente isto nunca aconteceria, Renia foi achada por soldados nazistas em julho de 1942, enquanto se escondia num sótão. Ela tinha somente 18 anos. O seu namorado, a quem Renia tinha confiado o seu diário, escreveria uma desgarradora entrada:

Eu ate ia colocar outra imagem, mas são fortes demais… se tiver estomago, busca no google por “german executions”

“Tres tiros! Tres vidas perdidas! Tudo que eu escuto são tiros, tiros”.

Percurso do diário

Algum tempo depois Schwarzer também seria encontrado e deportado a Auschwitz. Ele conseguiu repassar o diário para outra pessoa. Felizmente Schwarzer sobreviveu a guerra e se mudou para Nova Iorque levando-o consigo. Coincidentemente a família de Renia, sua mãe e sua irma, também se mudaram para a cidade.

Judeus sendo enviados a Auschwitz

Schwarzer conseguiu localizar os familiares de Renia em 1950, devolvendo o diário a família. Nem a irma, nem a sua mãe conseguiram ler o diário de tao tocante, doloroso e sensível. Decidiram então guarda-lo num banco por mais de 70 anos.

Foi somente em 2012 que a filha da irma de Renia pressionou para fazer uma tradução do diário. A intenção era tentar publicar-lo para que todos pudessem ler e conhecer esta historia. Mas não foi se não ate este ano que foi possível a publicação.

Nos tempos atuais onde vemos ferver os nacionalismos e populismos, creio que vem a calhar a publicação do diário de Renia, para nos lembrar. O homem é um bicho de pouca memoria, e pelo estado das coisas, é bom se lembrar as consequências nefastas de se deixar levar pelos radicalismos.

Ultimas entradas do diário

“7 de junio de 1942

Onde quer que eu olhe, ha derramamento de sangue. Aqueles “pogroms” terríveis. Há assassinatos, assassinatos. Deus Todo-Poderoso, pela enésima vez que me humilho diante de ti, ajude-nos, salve-nos! Senhor Deus, deixa-nos viver, eu imploro, eu quero viver! Eu experimentei muito pouca vida. Eu não quero morrer. Eu tenho medo da morte. Tudo é tão estúpido, mesquinho, sem importância, tão pequeno. Hoje me preocupo em ser feia; Amanhã eu poderia deixar de pensar para sempre.””

Tao somente um mês depois desta entrada, Renia foi encontrada e executada…

“15 de julio de 1942

Lembre-se deste dia; lembre-se bem. Você dirá às gerações vindouras. Desde as 8 horas de hoje, estamos trancados no gueto. Eu moro aqui agora. O mundo está separado de mim e eu estou separada do mundo.”

renia spiegel

Vi isto aqui.

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