TU 144 o Concorde russo, é o avião de passageiros mais rápido do mundo

Imagine voar os 8000 quilômetros que separam Moscow de Vladivostok do outro lado da Rússia em apenas 3 horas e 30 minutos. Agora imagine por um momento que fosse possível voar os 4000 quilômetros entre Porto Alegre e Manaus em menos de 2 horas. Hoje nenhum avião comercial consegue fazer isso mas o TU 144, o concorde russo, conseguia nos anos 70!

Voando a uma velocidade de crucero de Mach 2 ou 2450 quilômetros por hora o Concorde russo ultrapassava a velocidade de rotação da terra, feito que somente os aviões de caça mais modernos, e o superman, conseguiam alcançar.

O Tu 144 podia decolar de Moscow após o por do sol e chegar ao seu destino de dia, alias, você podia ver o por do sol duas vezes no mesmo dia! Esse era o Tupolev Tu 144, o Concorde russo.

Tudo isto acontecendo no final dos anos 60 e começo dos 70, menos de 15 anos após os aviões a jato começarem a ser o padrão nos voos comerciais.

Historia

Chamado com razão pelos trolls ocidentais de “Concordski”, o Tu 144 teve seu voo inaugural em dezembro de 1969 e significou o fim de uma corrida contra relógio para lançar o avião antes que os europeus lançassem o Concorde. O projeto para construir o Tu 144 caiu no colo da Tupolev devido a uma ordem que veio desde a cúpula da URSS para construir um Concorde maior, melhor e mais veloz.

Na URSS dos anos 60/70 isto era parte da constante concorrência com o ocidente para mostrar ao mundo quem tinha o maior 😉 e nisso os russos eram bitolados e até obcecados ao ponto do patológico. Quando o KGB veio com a fofoca de que ocidente estava planejando o Concorde os soviéticos imediatamente copiaram os planos e mandaram para o escritório de Tupolev, o único com longa experiencia em quibar na cara de pau os projetos ocidentais. No seu currículo tinha o Tu 4 que era uma cópia descarada do B-29 americano. Para conseguir o feito os russos fizeram engenharia reversa em vários B-29 que tinham pousado de emergência na URSS durante a guerra.

Tupolev então trabalhou de forma incansável. A pressão era tanta que um engenheiro teria dito durante o voo inaugural que aquele não era o teste do Tu 144, era o teste dos próprios nervos! O Tu 144 fez seu primeiro voo um 31 de dezembro de 1969, 3 meses antes que o Concorde.

Poucos meses após o voo inaugural o Tu 144 fez outro voo ultrapassando a velocidade do som e se convertendo no primeiro avião comercial a quebrar esta barreira, novamente messes antes do Concorde. Também foi o primeiro a voar a mais de Mach 2.

Entrada em serviço, acidentes e o fim da linha

Contrario ao que aconteceu com o Concorde que teve uma longa vida de serviço comercial, o Tu 144 viu pouco serviço e poucas unidades foram construídas. Para falar a verdade todo o lance com este avião era uma questão da propaganda, uma vez alcançado este objetivo a coisa andou bem mais devagar, principalmente após um serio acidente que teve durante uma exposição aérea em Paris.

Este acidente causado aparentemente por um Mirage III que ao se acercar ao Tu 144 para fotografar teria forçado ao piloto a fazer uma manobra que desestabilizou o avião com o consequente aumento de forças na assa que a fez quebrar, deste posto o Tu 144 começou a se desintegrar, caindo numa grande explosão.

Este acidente foi ruim para os soviéticos e pior para os europeus já que várias empresas que tinham feito pedidos do Concorde desistiram e somente duas empresas compraram o avião e o operaram até o fim dos seus dias.

Pouco tempo depois a Aeroflot russa deixaria de usar o Tu 144 transformando o avião em plataforma de testes apenas. Foi durante estes anos que o Tu 144 quebrou vários recordes de altitude e velocidade. Em 1983 um Tu 144D quebrou 13 recordes mundiais de transporte de cargas a grandes velocidades e altitudes.

Hoje além daqueles exemplares que estão em museus e outros abandonados, como este que foi achado em Kazan, tem um que foi operado pela NASA nos anos 90 ainda em condições de voo porém que provavelmente vai virar monumento ou peça de museu.

Numa época em que as empresas comerciais buscam reduzir custos ao máximo será difícil ver a curto prazo um substituto para os Concorde e Tu 144. O que nos sobra é lembrar de uma época em que você podia voar de Paris a New York sobre o oceano Atlântico a duas vezes a velocidade do som, feito que hoje é impossível, quem diria!

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Vi isto aqui, aqui e aqui.

 

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